Ementas aprovadas - GT

Confira no menu ao lado as ementas aprovadas para os Grupos de Trabalhos (GTs)


GT1 - Antropologias afroindígenas: contrassincretismos e suas políticas

Coordenação: Renato Sztutman (USP) e Gabriel Banaggia de Souza (UFRJ)

Os encontros entre povos de matriz africana e indígenas nas Américas são o resultado do maior processo de desterritorialização e reterritorialização da história. Processo que tem sido interpretado a partir das relações entre indígenas e afroamericanos, de um lado, e brancos, de outro, enfatizando os mecanismos de adaptação e eclipsando as relações entre afroindígenas que não fossem sobrecodificadas pela sociedade dominante. Este GT pretende explorar os modos pelos quais essas relações são pensadas pelos coletivos nelas envolvidos que vêm sendo descritos por pesquisas recentes. Nestas, percebe-se a necessidade do abandono de uma série de clichês, tanto os que opõem pureza e mistura, tradição e adaptação, quanto os que pressupõem o apagamento das especificidades em nome de qualquer tipo de síntese ou fusão. Trata-se de pensar sobretudo práticas concretas que agenciam diferenças sem homogeneizá-las, em chave política ou existencial. O objetivo principal do GT é seguir colocando em diálogo trabalhos que acompanham os conceitos e práticas nativas acerca de seus encontros com coletivos pensados por eles como outros. Serão privilegiadas apresentações apoiadas em pesquisas empíricas que explorem relações afroindígenas em seus múltiplos aspectos.

 


GT2 - Ciberpolítica, ciberativismo e cibercultura

Coordenação: Claudio Luis de Camargo Penteado (UFABC) e Rafael Cardoso Sampaio (UFPR)

O desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação (TIC) tem provocado diversas transformações nas relações sociais nas práticas políticas, econômicas, sociais e culturais, despertando novas desafios para as agendas de pesquisa nas Ciências Sociais. Nesse sentido, o GT "Ciberpolítica, ciberativismo e cibercultura" pretende reunir pesquisadores que investigam as dinâmicas e os impactos dessas tecnologias digitais sobre várias dimensões das sociedades contemporâneas, notadamente os sistemas políticos e seus atores, sobre formas de cidadania, participação e ação coletiva online, assim como sobre identidades sociais coletivas, sociabilidades e processos de criação simbólico de atores sociais que se estabelecem no e pelo uso/apropriação das tecnologias informacionais. Assim, esperamos receber pesquisas e contribuições teóricas e metodológicas nas áreas de ciberativismo, cibervigilância, campanhas on-line, tecnopolítica, democracia digital, deliberação on-line, e-participação, governo eletrônico, governo aberto, governança da internet, exclusão/inclusão digital, cultura digital, sociedade informacional, conflitos online, sociabilidade em ambientes e plataformas e jogos digitais, big data, monitoramento, análise de redes sociais online e regulação algorítmica.

 


GT3 - Circuitos trasnacionais e pesquisas em África: desafios, dilemas e perspectivas

Coordenação: Laura Moutinho (USP) e Wilson Trajano Filho (UnB)

Em 2017, um número significativo de países africanos terá novas eleições, o que vem sendo considerado um desafio para as democracias recentemente instauradas no continente, que assim como o Brasil, vêm enfrentando sérios questionamentos e mesmo ameaças diretas. As diferenças entre os processos específicos de cada contexto nacional deixam entrever, entretanto, algumas semelhanças: corrupção, persistência de certos cenários de desigualdade social, avanços de extremistas e do fundamentalismo religioso. Interessa a um crescente número de cientistas sociais no Brasil acompanhar de perto os desdobramentos do BRICS (recentemente ameaçado), que tem fomentado de maneira importante uma interlocução Sul-Sul, especialmente entre Brasil, África do Sul (África Austral como um todo) e a Índia. Neste cenário de rápidas e muitas vezes dramáticas transformações, parece-nos de fundamental importância ter um fórum para discutir a pesquisa no continente africano feita a partir do Brasil, com um olhar de alguma forma distintos dos olhares oriundos dos antigos impérios coloniais. O objetivo deste GT é: comunicar resultados das pesquisas em andamento, partilhar experiências e planejar atividades conjuntas de investigação num contexto de profunda reconfiguração das relações e da cooperação internacionais e da abertura de diálogos entre pesquisadores do sul global, com grande potencial de inovação.

 

 


GT4 - Coleções, colecionadores e práticas de representação

Coordenação: Manuel Ferreira Lima Filho (UFG) e Edmundo Marcelo Mendes Pereira (UFRJ)

A atenção etnográfica aos processos de colecionamento tem recuperado condições, epistemes e imaginários de distintos períodos históricos, quanto contemporâneos, nas revisões museais, na retomada dos ‘objetos’ nos cenários temáticos das ciências sociais, e na organização de coleções e modos de exibição étnicos e populares, na proliferação recente de museus comunitários e centros culturais locais. Tomando como ponto de partida instituições de ‘conhecimento’ e ‘memória’ como gabinetes, museus, bibliotecas, jardins botânicos e zoológicos, a geração e administração de ‘coleções’ organiza-se em práticas ligadas a projetos múltiplos: disciplinares, de desenvolvimento e autonomização de campos científicos e artísticos; de poder e governabilidade, de invenção e administração audiovisual da nação e do império. Com isso vem se definindo um conjunto de preocupações focadas, em particular, nos atos de colecionamento e, recentemente, nas contra-representações dos grupos historicamente representados em regimes de subalternização. A temática coloca em evidência a relação entre investigadores e interlocutores na objetificação seletiva da diversidade cultural e natural. Pretende-se reunir cientistas sociais a fim de debater sobre a produção de coleções tomando o exercício etnográfico como revelador de redes, posições e circuitos de transação e políticas de representação.

 


GT5 - Comportameto, opinião pública e cultura política 

Coordenação: Julian Borba (UFSC) e Luciana Fernandes Veiga (Unirio)

Nos últimos anos, presenciamos fenômenos políticos que colocam em evidência a importância dos estudos sobre o comportamento político e opinião pública no Brasil. A novidade trazida pelos protestos de 2013, passando pela eleição presidencial de 2014, que reiterou a necessidade de se aprofundar no debate em torno do voto econômico, até o impeachment de Dilma Rousseff que trouxe à tona o tema da polarização política. Relacionado a isso, os debates sobre tolerância política entraram de vez no rol dos issues mais salientes na vida política brasileira. Todos esses eventos colocam os estudos sobre opinião pública e comportamento político na ordem do dia e suscitam uma série de perguntas de pesquisa. Diante do quadro marcado predominantemente pela descrença no sistema e nas instituições políticas, como o eleitor decide o seu voto? Quais são os determinantes do voto, em um momento em que a identidade partidária é fortemente reduzida e a satisfação com a economia perde peso enquanto explicação para o voto no mandatário? E a formação de atitudes políticas? Até que ponto tais atitudes permanecem estáveis ou ficam fortemente abaladas no contexto de instabilidade? Que fatores contextuais – econômicos e políticos - impactam na participação política? A nossa proposta de Grupo de Trabalho busca dar espaço dentro da ANPOCS para pesquisadores que estejam trabalhando com essas perguntas sobre o comportamento, opinião pública e cultura política.

 


GT6 - Conflitos e desastres ambientais: violação de direitos, resistência e produção do conhecimento

Coordenação: Horácio Antunes de SantAna Júnior (UFMA) e Raquel Oliveira Santos Teixeira (UFMG)

O GT debate conflitos e desastres ambientais enfatizando o lugar do Estado, de entidades privadas e organizações multilaterais, a mediação de peritos e representações diversas e a atuação de grupos sociais em luta para garantir direitos. Identifica problemáticas e posições em torno da "questão ambiental": visões hegemônicas de gestão ambiental em busca de soluções técnicas e consensuais para “mitigar impactos” de projetos de desenvolvimento e visões críticas que enfatizam disputas de classe/etnia/raça/gênero/geração, poder, dominação, resistência e acesso desigual a recursos e à proteção do Estado. Reúne estudos sobre: desterritorialização e confronto com consequências socioambientais resultantes de projetos extrativos, agropecuários, urbanísticos, de infraestrutura, preservação ambiental e entretenimento; os desastres e seus associados padrões de iniquidade e vulnerabilidade; questões relativas à produção de conhecimentos e ao papel, à autonomia e ao cerceamento de especialistas quando da produção de laudos, perícias, relatórios e estudos acadêmicos; lutas pela definição de "problemas ambientais", sua solução e seus riscos; legislação ambiental/territorial, processos de licenciamento ambiental, políticas públicas, novas territorialidades e tentativas de obstrução, flexibilização e desregulamentação destas.

 


GT7 - Controles democráticos? Instituições e participação na democracia contemporânea

Coordenação: Debora C Rezende de Almeida (UnB) e Vanessa Elias de Oliveira (UFABC)

O GT visa a estimular o debate acerca da imediata associação entre controles e democracia, percebida comumente como mutualística, mas raramente parasitária. Por um lado, é preciso compreender as tensões entre o desenvolvimento e incrementalismo das instituições de accountability e as incertezas acerca do seu caráter democrático. Por outro lado, embora as experiências de inovação institucional que combinam participação e representação da sociedade civil tenham se disseminado em diferentes níveis de governo e políticas, sabe-se pouco acerca dos seus resultados e dos impactos do novo contexto político nas dinâmicas de interação com o Estado. O GT abriga análises teóricas e empíricas que apresentem tanto um balanço sobre a qualidade destas instituições, quanto reflexões sobre os desafios atuais e futuros. Alguns temas centrais são a atuação e extrapolação dos órgãos de controle (tais como MP, PF, TCU, etc.) no combate à corrupção e na relação com os três poderes; a interação entre órgãos de controle e sociedade; os distintos resultados da participação social dentro e fora do Estado e as influências do contexto político nas diferentes instituições de controle e repertórios dos atores.

 



GT8 - Democracia e desigualdades

Coordenação: Daniel de Mendonça (UFPel) e Flávia Biroli (UnB)

O objetivo deste Grupo de Trabalho é proporcionar um espaço para a reflexão sistemática acerca dos limites das democracias realmente existentes e o impacto das desigualdades sobre esses regimes. Pretende-se reunir abordagens de caráter teórico e/ou empírico que tensionam as compreensões correntes da democracia, expondo formas alternativas de ação política, questionando as fronteiras da representação e da participação nas democracias liberais, discutindo as diferentes formas da produção e do exercício do poder nas sociedades contemporâneas, visando ainda à ampliação da agenda democrática. O GT pretende abrigar múltiplas discussões que nascem da relação entre democracia e desigualdades, reunindo diferentes perspectivas e fundindo abordagens teóricas, históricas e empíricas. Ele está aberto às reflexões sobre a democracia e sobre o político que estão embasadas em diversas correntes teóricas que dialogam de forma crítica ou até mesmo as que se opõem frontalmente à tradição liberal. Está aberto, de forma mais geral, aos debates sobre os limites da democracia nas sociedades contemporâneas, vinculados às múltiplas desigualdades e opressões nelas vigentes e aos obstáculos à agência autônoma, seja individual ou coletiva. Está aberto também a trabalhos sobre as novas formas de ativismo, sobre os espaços alternativos de construção de projetos coletivos, sobre os embates políticos cotidianos e sobre as vias possíveis ou utópicas de transformação social.

 



GT9 - Dinheiro, interesses e democracia: a influência dos recursos financeiros no sistema político

Coordenação: Wagner Pralon Mancuso (USP) e Rodrigo Rossi Horochovski (UFPR)

A desigualdade existente na esfera econômica é uma fonte constante de tensão para o funcionamento da democracia, cujo princípio essencial é o da igualdade política. Muitos estudos clássicos e contemporâneos das ciências sociais têm se debruçado sobre este tema, investigando as consequências políticas do desequilíbrio no poder econômico, e eventualmente buscando formas de contrabalançá-lo. Este grupo de trabalho, ao longo dos últimos anos, vem reunindo pesquisadores que se dedicam ao estudo da influência do dinheiro sobre o funcionamento do sistema político democrático. Tal influência é analisada não apenas no momento da seleção dos ocupantes dos cargos públicos (portanto, o financiamento das campanhas eleitorais é um objeto crucial para o grupo), mas também ao longo das diversas fases em que se desdobra o processo de tomada das decisões políticas (sendo assim, outro objeto crucial é a atuação dos interesses organizados - sobretudo empresariais - na formulação, implementação e avaliação das políticas públicas). Neste sentido, serão bem vindas contribuições teóricas e balanços da literatura nacional e internacional sobre o tema em tela, bem como análises empíricas de casos concretos sobre o exercício da influência política pelos interesses que concentram recursos econômicos. Se, de um lado, este GT possui clara unidade temática, de outro está totalmente aberto à pluralidade de orientações teóricas e de métodos de investigação científica, tanto quantitativos quanto qualitativos.

 



GT10 - Elites e formas de dominação

Coordenação: Roberto Grün (UFSCar) e Eliana Tavares dos Reis (UFMA)

A proposta deste Grupo de Trabalho é aglutinar investigações direcionadas a diferentes segmentos de elites (políticos, culturais, econômicos, profissionais, entre outros). Assim, objetivamos que este seja um espaço de interlocução para pesquisadores que, a partir de distintas configurações históricas e recortes empíricos, abordem perfis, trajetórias, carreiras, estratégias de legitimação, mecanismos de reprodução e objetos disputados por agentes (individuais ou coletivos), que ocupam posições relativamente bem situadas nos seus respectivos domínios de atuação. Principalmente, vamos acolher trabalhos que, apoiados em referenciais analíticos e universos de análise múltiplos, enfatizem as seguintes dimensões na pesquisa sobre elites: 1) composição, transformação e diferenciação ao longo dos séculos XX e XXI; 2) princípios de hierarquização e lógicas de distinção; 3) condições, recursos e estratégias de afirmação, preservação ou contestação de suas posições e posicionamentos; 4) repertórios de mobilização, ritos de consagração, disputas cognitivas e práticas performativas; 5) padrões de sociabilidades, gostos e estilos de vida; 6) polarização política e transformação dos espaços do poder.

 



GT11 - Entre as Ruas e os Gabinetes: institucionalização e contestação nos movimentos sociais

Coordenação: Marisa von Bülow (UnB) e José Eduardo Leon Szwako (UERJ/IESP)

Este GT tem como foco as relações entre institucionalização e contestação política na formação e atuação dos movimentos sociais. Em especial, busca compreender a conformação de novos atores e novas formas de ação coletiva, em um contexto sociopolítico repleto de tensões e ambiguidades. Após uma primavera progressista que atravessou vários países latino-americanos, o cenário de democracias em vias de consolidação deu vez a democracias “golpeadas”. Como os movimentos sociais de esquerda e de direita atuam nesse cenário? Como as novas gerações de “coletivos” e “ocupações” têm se organizado nesse contexto? Qual o papel de redes transnacionais nas novas formas de mobilização online e offline? Qual o impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação na ação coletiva contemporânea? E como repensamos as relações entre Estado, burocratas e movimentos sociais e seus impactos nas políticas públicas? O continuum conservadorismo-progressismo é, afinal, teoricamente adequado para entender essas dinâmicas e personagens? Ao redor de questões como estas, e assentado no pressuposto de crítica a visões dicotômicas que contrapõem institucionalização e contestação, o GT encoraja pesquisas dedicadas aos processos, fatores e sujeitos que, à esquerda ou à direita, no Brasil e fora dele, têm reconfigurado as institucionalidades democráticas seja restringindo, ampliando ou mesmo recusando o valor e o escopo do jogo democrático.



GT12 - Estudos sobre Estados Unidos

Coordenação: Sebastião Carlos Velasco e Cruz (UNICAMP) e Geraldo Nagib Zahran Filho (PUCSP)

O objetivo deste grupo de trabalho é dar continuidade à discussão e ao debate sobre pesquisas na área de estudos sobre os Estados Unidos no Brasil, colaborando com sua consolidação no país. O campo de estudos sobre os EUA no Brasil é amplo, compreendendo aspectos políticos, econômicos, sociais, culturais, históricos, jurídicos, entre outros. Para contemplar tal pluralidade, o GT está organizado em grandes linhas de pesquisa: (1) instituições e processos políticos, (2) cultura e sociedade, (3) relações exteriores e política de segurança, (4) economia política e governança global. De maneira geral, espera-se que os trabalhos apresentados abordem aspectos como: a compreensão dos fenômenos analisados em si próprios, com referência a sua singularidade nos EUA, ou ainda das similaridades, analogias e implicações dos fenômenos analisados em relação ao Brasil e à realidade internacional.

 



GT13 - Gênero, trabalho e família

Coordenação: Moema de Castro Guedes (UFRRJ), Glaucia dos Santos Marcondes (Unicamp)

Família e trabalho se relacionam na medida em que trabalhadores e trabalhadoras precisam equilibrar essas duas esferas. A instituição familiar responde por uma generificação dos indivíduos, sendo os homens tradicionalmente incumbidos do provimento e as mulheres da reprodução social. No processo de desconstrução destas identidades há um descompasso já que a ideia da mulher provedora avança mais rápido que a dos homens cuidadores. As “questões de gênero” neste campo não são novas, mas se repõem, atravessadas por problemáticas de raça/etnia, geração, regionalidade, sexualidade, entre outras. A conciliação segue, primordialmente, feminina, apesar do massivo ingresso delas no mercado de trabalho formal e das mudanças econômicas, demográficas e sociais. Novos arranjos familiares acabam por desafiar as estruturas de apoio tradicionais. O emprego doméstico experimenta um encolhimento importante ao lado de uma maior regulamentação, enquanto a política de creches, já insatisfatória, sofre retrocesso importante. As sucessivas quedas nas taxas de fecundidade refletem assimetrias de gênero na divisão do cuidado com os filhos. O fechamento de um ciclo de maior investimento em políticas sociais e a perspectiva de um cenário de pesadas restrições complicam ainda mais o quadro. Nesse sentido, o objetivo desse grupo de trabalho é discutir como esses problemas vem se reconfigurando, e como as políticas públicas acompanham, ou não, as mudanças sociais e suas novas implicações.

 



GT14 - Imagens e Ciências Sociais: experiências de ensino e pesquisa

Coordenação: Ana Lúcia Marques Camargo Ferraz (UFF) e João Martinho Braga de Mendonça (UFPB)

Nesse Grupo de Trabalho esperamos discutir o uso das imagens nas diferentes articulações possíveis entre ensino e pesquisa no campo das ciências sociais. Como desdobramento de uma reflexão em desenvolvimento desde a publicação do livro Antropologia Visual: perspectivas de ensino e pesquisa (Ferraz e Mendonça, 2014), esperamos estender a discussão sobre o uso de imagens do campo da antropologia visual, para as outras áreas das ciências sociais, como forma de dimensionar as limitações e potencialidades epistemológicas e metodológicas no tocante ao uso das linguagens visual, gráfica e audiovisual na sala de aula bem como na pesquisa e resultados elaborados nesses termos em vista de sua aplicabilidade no ensino. Pretendemos reunir trabalhos que desenvolvam reflexões sobre experiências multimidiáticas nos processos de produção de conhecimento nas várias áreas das ciências sociais e na apresentação da pesquisa acadêmica, ampliando o acesso do público à divulgação científica. Interessam os debates sobre a especificidade dos meios imagéticos de produção, novas mídias, experiências de publicação de resultados de pesquisa em hipermídia, e suas respectivas recepções. Debates epistemológicos sobre as implicações de tais modos imagéticos para a relações sujeito/objeto na pesquisa, ampliando interlocuções com os campos da performance, da curadoria e da experimentação dos modos de narrar em ciências sociais.

 


GT15 - Intelectuais, democracia e dilemas contemporâneos

Coordenação: Rubem Barboza Filho (UFJF) e Maria Alice Rezende de Carvalho (PUC-Rio)

Ainda que o papel atribuído tradicionalmente aos intelectuais no Ocidente – ou que os intelectuais se atribuíram durante largo tempo – esteja hoje submetido à crítica e à pressão de processos históricos cada vez mais complexos e globais, a presença relevante de uma intelectualidade ativa – variando a sua definição e composição - continua a ser considerada um elemento fundamental para a existência de sociedades democráticas e reflexivas. E não só no Ocidente. Este Seminário Temático tem como objetivos a discussão sobre o próprio estatuto dos intelectuais na diversidade e heterogeneidade mundo contemporâneo, a análise dos seus espaços de sociabilidade e atuação, das relações que mantêm com a vida pública, sobretudo com os desafios e dilemas existentes nas práticas e na imaginação democrática de diferentes sociedades ou de tradições históricas em diálogo ou confronto.

 



GT16 Migrações internacionais: Estado, controle e fronteiras

Coordenação: José Renato de Campos Araújo (USP) e Maria Catarina Chitolina Zanini (UFSM)

O GT objetiva agregar trabalhos que busquem analisar legislações, acontecimentos, atores sociais e Estados nacionais que ganham visibilidade dentro do cenário migratório global. Tal evidência nasce das reações dos Estados nacionais aos processos de mobilidades e deslocamentos populacionais, como também pela forma reportada pelas mídias frente às migrações. Se por um lado há uma maior institucionalização das migrações do ponto de vista de órgãos internacionais, como a ONU por exemplo, o que se observa é que as sociedades civis têm reagido de forma complexa a este movimento, bem como os Estados nacionais que ainda não se adequaram normativamente ao fenômeno. Agentes que geralmente tratam a migração como um problema de segurança nacional e o migrante como alguém a ser controlado e rotulado. Assistimos tais processos desde ao menos as Primaveras Árabes e o aumento de deslocamentos de refugiados para a Europa, com destaque para o caso do Mediterrâneo, o fortalecimento de discursos xenofóbicos e anti-migrancistas em eleições europeias, o Brexit na Grã-Bretanha, a vitória de Donald Trump, seus primeiros dias de governo nos quais, com ações restritivas para migrantes e refugiados, abre-se uma crise institucional sem precedentes na política dos EUA. No cenário nacional a questão migratória ganha alguma notoriedade com a aprovação pela Prefeitura de São Paulo da, Política Municipal para a População Imigrante, bem como a criação da CPI da Migração no legislativo paulistano.

 


GT17 - Mídias, política e eleições

Coordenação: Fernando Lattman Weltman (UERJ) e Kelly Prudencio (UFPR)

De acordo com sua trajetória, o GT “Mídias, política e eleições” se dedica a pesquisar e a analisar as relações entre comunicação e política, constituindo área de investigação transdisciplinar cada vez mais significativa no contexto contemporâneo. Abrange investigações empíricas e teóricas voltadas à compreensão dos papéis políticos das diferentes mídias em democracias de massa, articulando tanto a dimensão discursiva da política, quanto as variáveis políticas na construção de discursos públicos. Destacamos no âmbito do GT os seguintes tópicos : (1) Teorias da comunicação política (2) Enquadramentos e representações midiáticas da política; (3) Esfera pública e mapeamento de controvérsias públicas; (4) Democracia, mídia e representação; (5) Redes sociais e mobilização política; (6) Agenda pública e opinião pública; (7) Comunicação, desigualdades e formas de opressão; (8) Mídia, instituições e accountability; (9) Comportamento eleitoral; (10) Eleições: estratégia e marketing político; (11) Ação coletiva, cidadania e mídia; (12) Ética e valores no comportamento midiático; (13) Regulação da comunicação e pluralismo midiático; (14) Economia política da comunicação; (15) Jornalismo político.

 



GT18 - O presidencialismo de coalizão brasileiro

Coordenação: Mariana Batista da Silva (UFPE) e Magna Maria Inácio (UFMG)


O funcionamento das instituições políticas tem sido um dos principais vetores de pesquisas da Ciência Política brasileira desde a década de 1980. Após anos sendo objeto de uma agenda de pesquisa consistente, o Legislativo deixou de ser uma terra incógnita, e consolidaram-se argumentos e explicações sobre seu funcionamento e sua relação com o Poder Executivo. Difundiu-se a tese da predominância do Executivo, que com seus recursos extraordinários, gera incentivos para o comportamento coordenado e disciplinado dos partidos de sua coalizão no Congresso, com a colaboração dos líderes desses partidos. Porém, apoiados no mesmo tipo de evidências empíricas que seus predecessores, estudos recentes estão apontando mudanças nesse cenário. No contexto das novas pesquisas e tensões agravadas nas recentes crises política e de governança vivenciadas no país, o funcionamento interno do Executivo, o crescimento do força do Legislativo e o ativismo judicial se tornaram temas de renovado interesse, assim como a inter-relação entre essas instituições e com a sociedade civil e grupos organizados. O que os trabalhos que exploram esses temas tem em comum é o foco no funcionamento do “presidencialismo de coalizão”. O objetivo deste GT é promover o debate desses estudos recentes sobre o funcionamento do nosso presidencialismo de coalizão, reavaliar as interpretações dominantes e, consequentemente, trazer mais luz sobre os dilemas institucionais do sistema político brasileiro.

 


GT19 - O Rural no Brasil contemporâneo: questões teóricas e novos temas de pesquisa

Coordenação: Leonilde Servolo de Medeiros (UFRRJ) e Ramonildes Gomes (UFCG)

Nas abordagens contemporâneas das Ciências Sociais, tem havido o alargamento das perspectivas analíticas que valorizam mudanças societais. Ganham destaque análises das dimensões simbólicas, materiais e institucionais dos processos de mudança relacionadas a múltiplas expressões do trabalho, à emergência de movimentos sociais, às relações de produção e consumo, meio ambiente, relações de classe, gênero, geração e étnicas. Tais processos têm estruturado espaços diferenciados, ora fundamentados na valorização da cidadania individual, ora na busca por afirmação e reconhecimentos de direitos difusos, reconhecimento identitário e territorialidades. O GT que propomos visa: a) investir das chaves analíticas que têm sido mobilizadas e suas possibilidades de explicar a dinâmica das mudanças em curso; b) considerando a centralidade das políticas públicas, analisar como contribuem para moldar condutas e formas de sociabilidade, por meio de criação ou resignificação de instituições e comportamento dos atores; c) abordar continuidades e mudanças na dinâmica das lutas sociais, incidindo sobre os lugares de poder de grupos hegemônicos no plano local, territorial e regional. Propomos uma discussão que possa ajudar a superar polarizações epistemologicamente empobrecidas e remetam à compreensão d a vida social por meio de interpretações abrangentes e multidisciplinares, mas que guardem o sentido da constituição de configurações ou totalizações provisórias, a partir de estudos empíricos.

 



GT20 - Os direitos dos povos indígenas e de outras populações tradicionais e as políticas do Estado: eixos de desenvolvimento e resistências sociais na América Latina

Coordenação: Stephen Grant Baines (UnB) e Vânia Rocha Fialho de Paiva e Souza (UFPE)

Na última década, na América Latina, presenciamos políticas de Estado que tentam reverter as conquistas alcançadas pelos povos indígenas e outras populações tradicionais, como é o caso brasileiro, cujos direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988 vêm sendo negligenciados, visando a favorecer o agronegócio e a implantação de grandes projetos regionais. Este GT busca promover a discussão de pesquisas sobre o tema, sendo um desdobramento de experiências como o GT Projetos de Desenvolvimento e Direitos Territoriais das Populações Tradicionais, coordenado por R. Parry Scott e Stephen Baines - ANPOCS 2014-15, e as atividades do Comitê Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos da ABA, coordenado por Vânia Fialho e Stephen Baines 2015-16. A proposta é relevante, neste momento, em que são recorrentes os ataques contra os povos tradicionais por parlamentares da bancada ruralista. O GT busca compartilhar experiências de pesquisas com foco na expansão da exploração econômica na América Latina, possibilitando identificar novas categorias que organizam o universo desenvolvimentista, as mudanças da legislação e das novas políticas do Estado para tentar reverter as conquistas alcançadas pelo novo constitucionalismo. Serão discutidas as investidas do agronegócio, da mineração, das hidrelétricas, etc, assim como as estratégias e as formas de resistência adotadas pelos povos indígenas e tradicionais para lidar com as novas situações de ameaça aos seus direitos.

 


GT21 - Os juristas na sociedade: conflitos políticos e sentidos do direito

Coordenação: Fernando Fontainha (IESP/UERJ) e Frederico Normanha Ribeiro de Almeida (UNICAMP)

É crescente, desde a redemocratização, o interesse das ciências sociais pelo direito, os juristas e as instituições judiciais. Esse interesse se reflete na existência de grupos de trabalho e áreas temáticas em praticamente todas as edições dos principais eventos científicos das ciências sociais nos últimos anos, e é reforçado pelo protagonismo do direito, dos juristas e das instituições judiciais na conturbada conjuntura política brasileira recente. Diante disso, e visando contribuir para a consolidação e difusão dessa agenda de pesquisas, o GT pretende reunir trabalhos sobre instituições, agentes e práticas judiciais que busquem analisar os sentidos sociais e os usos políticos do direito no Brasil e em outros contextos nacionais. Entre os temas específicos dentro dessa abordagem, destacamos o da incidência das instituições judiciais em conflitos políticos e sociais; o da mobilização do direito e das instituições judiciais por diferentes grupos de interesse; o das ideologias e trajetórias de grupos profissionais de juristas; o dos sentidos concretos assumidos pela prática dos agentes e instituições judiciais na aplicação do direito a conflitos sociais e políticos.

 



GT22 - Partidos e sistemas partidários

Coordenação: Bruno Bolognesi (UFPR) e Oswaldo Martins Estanislau do Amaral (UNICAMP)

O Grupo de Trabalho Partidos e Sistemas Partidários tem como eixo principal as questões relacionadas aos processos de organização, estruturação e atuação dos partidos políticos nos sistemas representativos das democracias contemporâneas. Entre outros temas, pretende-se abordar o recrutamento político; a organização partidária e suas estratégias de competição na arena eleitoral; as bases sociais e eleitorais das legendas; o desempenho e a composição de forças dos partidos nos Legislativos; as experiências partidárias no governo; e os padrões de interação e competição políticas construídas pelos partidos. Espera-se que haja diferentes ângulos metodológicos de aproximação dos temas sob análise, desde estudos de casos até comparações longitudinais ou transversais, bem como diversas formas de definição do objeto empírico (subnacional, nacional ou entre partidos e/ou sistemas de diferentes países).

 



GT23 - Pensamento social no Brasil

Coordenação: João Marcelo Ehlert Maia (FGV/RJ) e Bernardo Ricupero (USP)

O GT de Pensamento Social no Brasil tem por objetivo reunir trabalhos que discutam as ideias, os intelectuais, os conceitos e as obras clássicas que forjaram os diferentes campos da produção intelectual brasileira.Em 2017, o GT continua com a agenda impulsionada nos últimos anos, que tem dois eixos principais: os estudos comparativos, particularmente aqueles que extrapolem as questões nacionais e lidem com a circulação de ideias e intelectuais, e as discussões teórico-metodológicas sobre a prática de pesquisa na área, em especial no que se refere à análise de fontes primárias e às estratégias de leitura textual. Interessa-nos também refletir sobre o estatuto dito 'periférico' do pensamento social no Brasil, e trabalhos que analisem os tradicionais objetos da área à luz de questões contemporâneas sobre a geopolítica da produção de conhecimento serão bem-vindos.

 



GT24 - Pluralismo, identidade e controvérsias sociopolíticas

Coordenação: Joanildo Albuquerque Burity (FUNDAJ) e Paula Montero (USP)

O GT se propõe a discutir a intensificação da sensibilidade para com a pluralidade identitária e de formas de vida nas sociedades contemporânea, os arranjos institucionais e as mudanças socioculturais implicados nessa emergência e as tendências recentes a reafirmações da homogeneidade ou da unidade majoritárias. O caráter conflitivo e controverso da aceitação e institucionalização da pluralidade, inseparável do pluralismo, será objeto de atenção especial, particularmente em função da tendência à proliferação de disputas, conflitos e antagonismos recentes, em escala local e global. As discussões girarão em torno da emergência, admissão, negociação e institucionalização do pluralismo como forma cultural, como objeto de políticas estatais e como marco jurídico-político. Serão abrangidas as manifestações socioculturais, políticas e jurídicas do pluralismo, em perspectiva multiescalar (local, subnacional, nacional, regional, global).



GT25 - Políticas públicas

Coordenação: Sandra Cristina Gomes (UFRN, CEM/CEBRAP), Renata Mirandola Bichir (USP)

O Grupo de Trabalho (GT) de Políticas Públicas tem como objetivo reunir trabalhos sobre aspectos teóricos, metodológicos e empíricos das políticas públicas, reconhecendo a natureza multidisciplinar do campo de públicas. Além de aprofundar temáticas tradicionais, o GT 2017-2018 visa contemplar reflexões sobre as mudanças e continuidades observadas nessas primeiras décadas do século XXI nas formas de decisão e atuação estatal e nas complexas interações entre processos políticos e societais na produção de políticas públicas no Brasil. Pretende-se atrair trabalhos que contribuam com reflexões teoricamente bem informadas e empiricamente embasadas, contemplando desde os processos decisórios que marcam a formulação de políticas públicas às ações de implementação e suas interconexões e resultados. Espera-se articular um conjunto diversificado de perspectivas analíticas: o papel de instituições, arranjos institucionais e das articulações e interações entre diferentes tipos de atores (políticos, sociais, burocráticos, econômicos, movimentos sociais, partidos políticos etc.), além dos efeitos dessas interações sobre diferentes modelos de governança e sobre os resultados para o bem-estar coletivo e a redução de desigualdades.



GT26 Redes de relações indígenas no Brasil

Coordenação: Antonio Roberto Guerreiro Júnior (UNICAMP) e Marcela Coelho de Souza (UnB)

O objetivo desse Grupo de Trabalho é agregar pesquisas recentes que reflitam sobre as redes de relações sociais (históricas, econômicas, identitárias, rituais, estéticas, políticas) existentes entre os diferentes povos indígenas brasileiros. Estão no escopo temático desse GT pesquisas que enfoquem: 1) as variadas formas de circulação/apropriação de pessoas, bens (tangíveis e intangíveis), imagens, conhecimentos, práticas e técnicas rituais, xamânicas, corporais e políticas, existentes entre os povos indígenas que vivem no Brasil e suas regiões de fronteiras; 2) As relações de alteridade estabelecidas tanto entre os diferentes povos entre si e seus subgrupos específicos, quanto entre esses e outros grupos indígenas, destacando as interações e intercâmbios nas imagens do “ser índio” que circulam entre estes povos em seus respectivos contextos interétnicos; 3) As formas de contato estabelecidas entre os povos indígenas e as diversas agências estatais e os diversos setores da sociedade brasileira; 4) As formas nativas de compreensão e resistência aos grandes empreendimentos e aos seus impactos ambientais, políticos e socioculturais, bem como, enfoques e abordagens das redes de luta e os agenciamentos políticos existentes; 5) A diversidade ritual e cerimonial histórica e contemporânea dos povos indígenas, sobretudo no que concerne às redes de relações constituídas para a produção de rituais, eventos esportivos, feiras de sementes, encontros interétnicos, culturais e políticos.

 

 


GT27 - Relações internacionais da América Latina

Coordenação: Marcelo de Almeida Medeiros (UFPE) e Dawisson Belém Lopes (UFMG)

Esta proposta de Grupo de Trabalho (GT) tem como objetivo reunir trabalhos de pesquisadores de programas de pós-graduação de diferentes regiões do Brasil que estudem os principais aspectos das relações internacionais da América Latina, à luz das mudanças ocorridas nas últimas décadas e, particularmente, das bruscas transformações conjunturais que se introduzem. O GT buscará aprofundar a discussão sobre os diversos processos e dinâmicas que caracterizam a arena internacional, como também o caráter intrínseco dos atores que a compõem – dado que este caráter se reflete, no mais das vezes, na configuração do complexo tabuleiro das relações internacionais da região latino-americana. Para tanto, contemplam-se três grandes temáticas: (1) Relações Bilaterais, Multilaterais e Integração Regional da América Latina; (2) Políticas Externas e Economia Política Internacional da América Latina; (3) Conflitos, Políticas de Defesa e Segurança Internacional da América Latina.

 



GT28 - Relações raciais: desigualdades, identidades e políticas públicas

Coordenação: Paulo Sérgio da Costa Neves (UFS) e Luiz Augusto de Souza Carneiro de Campos (IESP/UERJ)

Tornou-se consensual entre os que buscam mapear o desenvolvimento das Ciências Sociais no Brasil a idéia de que o tema das relações raciais é uma das suas questões fundadoras. Nesse sentido, este GT pretende manter essa tradição e continuar oferecendo um espaço para debates sobre o tópico, enfatizando não apenas as temáticas clássicas do campo, mas também questões emergentes como a interseção entre clivagens raciais, de gênero, sexualidade, classe, idade; a interface entre sociedade e Estado na implantação de políticas para a população negra; a emergência de novas identidades negras; a comparação das relações raciais em diferentes países, etc.

 



GT29 - Religião, política e direitos na contemporaneidade

Coordenação: Marcelo Tavares Natividade(UFC) e Renata de Castro Menezes (UFRJ)
Nos últimos anos, a religião tem estado associada a diversos conflitos internacionais e as fronteiras das esferas políticas e religiosas estão sendo tensionadas em diferentes sociedades. Confrontos envolvendo agentes religiosos também são observáveis em contextos relacionados à disputa de valores na esfera pública. No Brasil, as mobilizações de distintas minorias pela garantia de direitos humanos, coletivos e difusos tem provocado controvérsias com segmentos confessionais despertado cada vez mais o interesse de cientistas sociais. Nesse contexto de lutas sociais contemporâneas, analisa-se tensões e linhas de força a partir da identificação de invenções, dissidências, avanços, recuos, a emergência de intolerâncias, posturas de hostilidades e violências. Em sintonia com essas preocupações, este ST dá continuidade às atividades iniciadas no 40 Encontro Anual da ANPOCS em 2016. Para tanto, pretende reunir trabalhos que problematizem as articulações de moralidades, identidades e discursos religiosos na contemporaneidade com lutas e movimentos pela ampliação de direitos (sexuais e reprodutivos, à liberdade religiosa, à liberdade de expressão, à igualdade racial e de gênero, à escola pública laica, etc.), em suas diferentes formas de manifestação.

 



GT30 - Sexualidade e gênero: corpos, sujeitos e política

Coordenação: Isadora Lins França (UNICAMP) e Julio Assis Simões (USP)

O continuado interesse pela sexualidade nas Ciências Sociais brasileiras, nas últimas duas décadas, ampliou e diversificou os recortes empíricos, caminhos analíticos e referenciais teóricos das pesquisas nessa temática, consolidando um debate vigoroso. Ao mesmo tempo, emergem novos questionamentos no contexto social mais imediato, em que gênero e sexualidade têm sido objeto de intensa disputa política. Seguem como características marcantes o rigor da pesquisa empírica e a refinada reflexão sobre a produção de corpos, sujeitos e direitos e suas formas de regulação moral e jurídica. Verifica-se um sofisticado investimento sobre as articulações entre sexualidade e gênero, raça, classe social e geração, na interface com identidades, territorialidades e violência. Novas compreensões sobre práticas sexuais, erotismo, pornografia e mercados eróticos acompanham recortes empíricos originais. Considerando o adensamento alcançado, para o qual foram cruciais as experiências anteriores realizadas no âmbito da ANPOCS, este GT propõe-se aprofundar a discussão desses diferentes temas e de suas conexões, com vistas à reflexão crítica num campo em que a pesquisa é inseparável de questões relacionadas a ética, reconhecimento e direitos. Temas privilegiados no debate: políticas sexuais, direitos e sujeitos; saberes, moralidades e formas de regulação; sexualidade, gênero e suas intersecções com raça, classe social e idade; mobilidades, mercados e fronteiras; violência, erotismo e corpo.

 



GT31 - Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro – conflito, poder, legitimidade e Estado

Coordenação: Vera Alves Cepêda (UFSCar) e Pedro Hermilio Villas Bôas Castelo Branco (IESP/UERJ)

Este GT pretende dar continuidade aos esforços iniciados em 2007, com a criação do GT de teoria política, de modo a promover a discussão em torno de temas centrais da teoria política e do pensamento político brasileiro. O eixo temático sugerido para o biênio 2017-2018,“Teoria Política e Pensamento Político brasileiro: conflito, poder, legitimidade e Estado”, visa a reunir diferentes pesquisadores interessados em debater os temas sugeridos. Pretende-se possibilitar a discussão sobre as distintas tradições e correntes teóricas que mobilizam os conceitos de poder, legitimidade, conflito e ajustes da tensão entre sociedade e Estado, tanto no debate existente no campo da teoria política mundial quanto no espaço do pensamento político brasileiro - atual ou em sua trajetória mais longeva. Toma-se como ponto de partida a inexorável relação entre o debate teórico amplo, de constituição e redefinição dos temas da vida pública e de suas instituições, com a recepção e ressignificação das grandes teorias e modelos para o espaço da experiência política brasileira, gerando um duplo movimento de interlocução com a grande teoria política, de um lado, e a produção de teses ajustadas ao contexto nacional, de outro. Como eixos selecionamos temas cruciais enfrentados pela ciência política no plano internacional e nacional: as várias ordens de conflitos que varrem a sociedade hodierna, sua resolução na configuração das formas de poder, de mecanismos de legitimação e papel atribuído ao Estado.

 



GT32 - Teoria social: agendas, desafios e perspectivas

Coordenação: Sergio Barreira de Faria Tavolaro (UnB) e Gabriel Peters (UFBA)

O objetivo do Grupo de Trabalho Teoria Social: agendas, desafios e perspectivas é abrir espaço para trabalhos que se proponham realizar balanços retrospectivos assim como debates prospectivos sobre quais os novos temas, desafios e perspectivas postos para a agenda da teoria social contemporânea. Nesse sentido, além de esforços de avaliação do que já foi realizado nos últimos anos, nosso objetivo envolve também refletir sobre agendas futuras que se podem discernir no seio da teoria social. Almeja-se debater com a comunidade acadêmica quais temáticas, linhas, correntes, autores e problemas ocupam e/ou poderão vir a ocupar lugar central na pesquisa e na produção teórica contemporâneas. Queremos estimular uma reflexão mais aguda tanto sobre as tarefas e a natureza da teoria social, quanto da ontologia do presente. Se conseguirmos acompanhar as inovações conceituais na fronteira das ciências sociais, sacudir as teorias sociais e repensar a ontologia do presente a partir de novas abordagens, teremos cumprido a nossa tarefa de relacionar mudança teórica e mudança social.

 



GT33 - Trabalho, trabalhadores e ação coletiva

Coordenação: Marco Aurélio Santana (UFRJ) e Roberto Véras de Oliveira (UFPB)

A presente proposta de Grupo de Trabalho busca discutir questões relativas à realidade do trabalho e da ação dos trabalhadores na sociedade contemporânea. Neste sentido, serão analisadas as reconfigurações no mundo do trabalho, ocorridas e/ou em curso, decorrentes dos processos de reestruturação do capitalismo e do advento da sociedade global, da incorporação e diversificação de medidas liberalizantes e desregulamentadoras da economia e do mercado de trabalho, da retomada e esvaziamento de políticas de desenvolvimento, entre outros. O GT intenta refletir sobre as novas características do trabalho e da classe trabalhadora em toda a sua heterogeneidade, nas condições da formalidade ou da informalidade, incluindo aí a emergência de novas ocupações e categorias de trabalhadores, o novo desenho do assalariamento, a reconfiguração de formas pretéritas e instáveis de inserção no mercado do trabalho, bem como as desigualdades de gênero, raça e geração analisando as implicações sociais e políticas daí emergentes. Busca, ao mesmo tempo e em associação com tais processos, identificar as tendências recentes das ações sindicais, em termos de forma e conteúdo, bem como os desafios e possibilidades que daí derivam.

 



GT34 - Urbanidades possíveis nos múltiplos usos da rua

Coordenação: Heitor Frúgoli Junior (USP) e Cristina Patriota de Moura (UnB)

O Grupo de Trabalho tem como objetivo atrair e fomentar debates acerca de fenômenos contemporâneos que ampliam possibilidades de fazer a cidade (Agier 1999) em suas múltiplas dimensões. Partimos de uma perspectiva teórica fundamentada em lutas por urbanidades participativas, ampliadas, criativas e diversas, que extrapolam a materialidade de dinâmicas citadinas específicas, mas que se articulam a territorialidades concretas, com usos e significados empiricamente observáveis em cidades onde se realizam pesquisas em diferentes vertentes das ciências sociais. O foco nos “usos da rua” pretende abarcar tanto os usos e sentidos cotidianos de espaços públicos em diferentes cidades, quanto pensar novos sentidos dados à ocupação, circulação, conflito, mobilidade e visibilidade da “rua” como modos de fazer diferentes regimes de urbanidade, em momentos de uma crise acentuada em diversas dimensões. Tal crise coloca em xeque não somente o “direito à cidade” no sentido já clássico dado por Lefebvre (1969) e retomado por Harvey (2008), mas também possibilita pensar quem adquire direitos de propor, negociar, estabelecer e questionar novas e velhas maneiras de definir possíveis urbanidades. Serão bem-vindos trabalhos que enfatizem redes acionadas pelos agrupamentos que têm realizado tais intervenções urbanas, com atenção ao conceito de coletivos, as principais táticas e significados mobilizados, as interpelações e as complexas relações com o poder público em suas várias instâncias.

 



GT35 - Violência, punição e desvio: reflexões teóricas e investigações empíricas

Coordenação: Marcos César Alvarez (USP) e Luiz Claudio Lourenço (UFBA)

As questões dos campos da violência, da punição e do controle social têm adquirido relevo eimportância no âmbito das preocupações sociais na contemporaneidade e em especial no Brasil. As altas taxas de incidência delitiva, o surgimento e as transformações das dinâmicas e grupos criminosos, a política de guerra às drogas, as novas formas de gestão dos ilegalismos e os custos crescentes de manter e de ampliar populações de jovens e de adultos encarcerados têm colaborado fortemente para a demanda de uma reflexão constante e atual das Ciências Sociais para estas temáticas em nosso país, mas em estreito diálogo com a literatura internacional. Diante deste quadro, há a necessidade de novos aportes sociais, políticos, simbólicos e teóricos para rever os consensos que demarcaram o campo nas últimas décadas. Embora as Ciências Sociais tenham produzido um número expressivo de pesquisas empíricas, cobrindo o estudo da violência, da punição e do desvio, ainda percebem-se lacunas analíticas e também teóricas. O GT, neste sentido, abre-se como fórum para discussões teóricas e apresentações de achados empíricos, além de ser uma oportunidade de aprofundamento e discussão de trabalhos que problematizem as mutações nessas dimensões da vida social e política, das dinâmicas delitivas e das instâncias de controle social, num corte de caráter interdisciplinar que colabore com a consolidação das reflexões apresentadas.