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Boletim Especial n. 34 - 06/05/2020


O Boletim n.34 aborda os problemas do negacionismo, da subnotificação e da produção de informações falsas, que se revelam tão perigosos quanto a pandemia de coronavírus. Jean Miguel (UNIFESP) fala sobre o fenômeno da produção da ignorância no contexto brasileiro, através de recursos e narrativas usados como políticas sistemáticas que buscam disseminar a desinformação. Já Lucas Freire (UFRJ/FGV) fala sobre a dimensão social da construção e entendimento da realidade, mostrando como a subnotificação dos casos de COVID-19 revela uma política voltada à criação de uma realidade que minimiza os impactos da pandemia.

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Coronavírus, bolsonarismo e a produção da ignorância


Por Jean Miguel

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Arte: Rael Brian (2020) 


Agnotologia é o estudo da produção cultural da ignorância1. A ignorância, para esses estudos, não é simplesmente um “espaço vazio” na mente das pessoas, que poderia ser preenchido com informações a respeito de algum assunto. Através da perspectiva etnográfica, revelou-se que a ignorância possui contornos e coerência construídos por processos culturais, assim como certas regras pelas quais opera2. Considerar a ignorância como um produto cultural pode parecer a princípio contraintuitivo, mas quando visto à luz de um exemplo concreto, o argumento se torna suficiente.


O modo como a pandemia da COVID-19 tem sido tratada pelo presidente Bolsonaro e grupos bolsonaristas é um exemplo claro de como a ignorância é produzida e difundida culturalmente. Ignorância produzida frente ao farto número de informações apresentadas pela comunidade científica, pelos dados compartilhados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aplicados pelo Ministério da Saúde brasileiro. No contexto da pandemia, dois principais fatos insistem em ser negados e, por fim, ignorados: a gravidade da pandemia e a efetividade do isolamento social. Isso já basta para que se ignore a realidade da pandemia por completo, dando-se espaço para teorias conspiratórias e inúmeras fake news disseminadas pelas redes sociais e grupos de whatsapp bolsonaristas.


Sobre como a ignorância a respeito do assunto vem sendo produzida, cabe aqui destacar dois aspectos. O primeiro, diz respeito aos meios empregados para disseminar o conteúdo falso, através de tipos de mídia e formatos de comunicação bastante específicos. Estratégia que difere de estudos de caso agnotológicos como os que foram discutidos, por exemplo, por autores como Oreskes e Conway (2010)3, pois não utilizam a mídia de massa para promover contrainformação, e sim uma rede muito mais difusa de mídias digitais. O segundo aspecto, refere-se ao tipo de narrativa que produz o amálgama das diversas práticas de produção da ignorância, cujo foco está na produção de um enredo paranoico sobre os supostos interesses da chamada “esquerda globalista”.


O trabalho recente da antropóloga Leticia Cesarino (2020)4 sobre populismo digital e as redes bolsonaristas demonstrou o uso sofisticado que os grupos bolsonaristas têm feito das mídias digitais para disseminar seu ideário por meio de diversas táticas que visam reduzir a complexidade de temas que eles consideram alvos. Os mesmos recursos utilizados durante a campanha política de 2018 vêm sendo empregados para produzir ignorância em relação à pandemia do Coronavírus.


Um bom exemplo é o vídeo intitulado “o fracasso da quarentena”5, amplamente divulgado por Eduardo Bolsonaro em suas redes (figura 1). Nesse vídeo, o youtuber Bernardo Küster6 argumenta com base em um comentário do presidente da Agência Espacial de Israel, Isaac Ben-Israel, que a quarentena é ineficaz ao ciclo do vírus, pois o vírus tende a desaparecer até a oitava semana após o contágio e que, portanto, o isolamento social não faz sentido. O argumento é concluído afirmando que este tipo de informação tem sido “ocultada” do público em geral, sugerindo que a verdade a respeito da ameaça do Coronavírus tem sido manipulada para causar a crise econômica.

 

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Figura 1: A produção da ignorância nas redes sociais bolsonaristas.
Fonte: imagem obtida na rede social Facebook (2020).


Observa-se na figura anterior que os conteúdos são divulgados para que a quarentena seja ridicularizada, como ilustra a imagem satirizada do ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta, um dos defensores da medida. Percebe-se, portanto, um formato estabelecido para a produção da ignorância, no qual o conteúdo transmitido não importa tanto quanto a maneira pela qual ele é mostrado e difundido. O que se quer é produzir um efeito por meio de uma mensagem rápida que possa ser facilmente assimilada e compartilhada pelo receptor. É precisamente na velocidade com que se substitui uma mensagem por outra que reside a força dessa prática, algo que pode ser resumido na máxima atribuída a Joseph Goebbels: “uma mentira contada mil vezes, torna-se verdade”.


O segundo aspecto que gostaria de ressaltar diz respeito à narrativa na qual as mensagens espalhadas isoladamente ganham alguma coerência, em um amálgama que forma o imaginário conspiratório bolsonarista. Um dos expoentes da cosmovisão bolsonarista é o escritor Olavo de Carvalho, que se tornou conhecido por afirmar que as universidades brasileiras têm sido dominadas por décadas pelo “pensamento da esquerda” e também que a grande mídia propaga o que ele chama de “marxismo cultural”, a saber, um projeto da “esquerda globalista” dedicado ao empreendimento de destruir a cultura ocidental capitalista e cristã. A “conspiração globalista da esquerda” visa, segundo Carvalho, submeter os povos a um único governo mundial através da ONU e de seus organismos internacionais, como por exemplo, a OMS, o Banco Mundial, a UNESCO etc7.


Não surpreende, portanto, que a pandemia da COVID-19 seja compreendida na cosmovisão bolsonarista como uma “conspiração globalista da esquerda”. Sobretudo, quando se considera que o “vírus é chinês”8. Nesse imaginário, o “comunismo internacional” está por trás de tudo, e é culpado pela pandemia. Nas palavras de Eduardo Bolsonaro: “A culpa é da China, e a liberdade seria a solução”9. Teorias conspiratórias como essa sugerem que existe “um outro lado da história” que é censurado pela comunidade científica e, consequentemente, omitido pela imprensa oficial. É nesse sentido que as afirmações de “outsiders”, como Olavo de Carvalho, adquirem alguma coerência ao denunciar a corrupção das instituições científicas e da grande mídia, produzindo uma narrativa paralela com a qual práticas de produção da ignorância unem-se de modo a formar um imaginário homogêneo.


Em síntese, a partir dos dois aspectos anteriormente mencionados, percebemos que a produção da ignorância em torno da COVID-19, agenciada por redes bolsonaristas, é operada através de meios digitais e práticas específicas que podem ser identificadas como formas de anulação da complexidade e da possibilidade de verificação dos fatos. Portanto, comporta-se como um sistema de produção da ignorância, que se alimenta de uma cosmovisão compartilhada na qual a ciência é vista como produtora de um conteúdo contaminado ou, simplesmente, entendida como “ideologia” propagada pela esquerda.


Dado o exposto, concluímos que os estudos sociais dedicados aos assuntos da ciência, da epistemologia e das condições de produção da verdade têm no presente contexto um grande desafio de interpretar a ação crescente dos sistemas de “pós-verdade” e produção da ignorância. A relação entre o saber e o poder, amplamente debatida por autores como Michel Foucault, adquire nos contextos atuais uma base tecnológica que permite que a produção da ignorância seja realizada em velocidade e em escalas espaciais inéditas. O perigo dessas ações coordenadas é bastante claro nos dias de hoje. Precisamos lidar não só com a ameaça de uma pandemia, mas com a ignorância planejada que coloca em risco as medidas de saúde e combate à doença.


Jean Miguel é pós-doutorando na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da UNIFESP. Doutor em Política Científica e Tecnológica pela UNICAMP. Graduado em Ciências Sociais pela FURB. Tem interesse nas áreas de Antropologia da Ciência e da Tecnologia e Política Científica com foco nos seguintes temas: infraestruturas de produção do conhecimento científico, coprodução da ciência e da política, produção da verdade em processos políticos.


Agradecimentos: Lorena Medrado, pela revisão do texto.

 

1 Ref: “Agnotology: The Making and Unmaking of Ignorance” https://www.sup.org/books/title/?id=11232 Acesso 16/04/2020.


2 Ref: “The Anthropology of Ignorance: An Ethnographic Approach” https://kar.kent.ac.uk/57894/ Acesso 16/04/2020.


3 Ref: “Merchants of Doubt: How a Handful of Scientists Obscured the Truth on Issues from Tobacco Smoke to Global Warming”. https://www.bloomsbury.com/uk/merchants-of-doubt-9781596916104/ Acesso 16/04/2020.


4 Ref: “Como vencer uma eleição sem sair de casa: a ascensão do populismo digital no Brasil”. https://revista.internetlab.org.br/wp-content/uploads/2020/02/Como-vencer-uma-eleic%CC%A7a%CC%83o-sem-sair-de-casa.pdf Acesso 16/04/2020.


5 Ref: https://www.youtube.com/watch?v=W6gPEK_EyL8&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2iMm4sDKwZpqRL6mjV6rQjdGiFQFqQQe9wVvvvnRyOVP-icPh9YcShNVA Acesso 16/04/2020.


6 Um dos youtubers recomendados por Jair Bolsonaro vide: https://theintercept.com/2018/11/17/youtubers-bolsonaro-nando-moura-diego-rox-bernardo-kuster-fake-news/ Acesso 17/04/2020.


7 Para estes e outros temas abordados por Carvalho Ref: http://olavodecarvalho.org/do-marxismo-cultural/ 16/04/2020.


8 Como afirmou o youtuber Bernardo Küster no vídeo anteriormente mencionado.


9 Ref: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2020/03/19/eduardo-bolsonaro-culpa-china-por-coronavirus-e-gera-crise-diplomatica.ghtml Acesso 14/03/2020.

 


 

Subnotificação e negacionismo: o que conta como real em uma (in)visível pandemia


Por Lucas Freire


A pandemia de COVID-19 que agora assola o planeta nos apresenta um quadro no qual a definição do real encontra-se profundamente atravessada por tensões sem precedentes na história contemporânea. Esses diferentes lados da disputa formulam versões distintas e contrapostas para afirmar, contestar ou recusar a existência de uma “mesma” situação, as quais variam desde as que afirmam que o novo coronavírus foi criado para redesenhar a economia global até as que defendem apaixonadamente que a pandemia é uma mentira. Segundo o que vem sendo alegado por especialistas de diferentes áreas do conhecimento e divulgado em reportagens publicadas ao longo das últimas semanas, a subnotificação é um dos maiores obstáculos enfrentados atualmente no Brasil, que é visto como um dos países que menos testa a sua população no mundo inteiro10. Nesse cenário, por um lado, o “pequeno” número de pessoas acometidas pela doença é utilizado para duvidar e até mesmo atacar as medidas de distanciamento oficialmente recomendadas; por outro, a escassez e fragilidade dos dados comprometem um planejamento eficaz de políticas de saúde para mitigar e combater o alastramento do vírus. Apontado como um denominador comum a ambos os problemas: o desconhecimento da realidade da pandemia de COVID-19.


Diante disso, arrisco dizer que as perguntas que mais intrigam algumas pessoas – em especial os cientistas das chamadas “ciências duras” – são: como determinadas ideias sobre a origem, a letalidade, as formas de contágio e os potenciais tratamentos da COVID-19 permeiam o tecido social com mais facilidade e enraizamento do que o dito discurso científico e objetivo? Por que o “acesso à informação” não se traduz imediatamente em práticas de prevenção padronizadas e adotadas tanto pelos indivíduos quanto por governantes em todos os lugares do mundo? De que maneira a absorção e até mesmo a própria consolidação do conhecimento biomédico estão subordinadas à aceitação ou validação social? E, finalmente, como podem certos grupos ou sujeitos não acreditarem na pandemia?


Para os cientistas sociais, a ideia de que a “realidade” resulta de uma construção social é um lugar-comum. Pontuamos há muito tempo que as categorias empregadas para compreender e dar sentido ao que nos rodeia dependem do estabelecimento de convenções e acordos coletivos que são, por vezes, mais e menos explícitos. Ademais, a fabricação social da realidade torna-se ainda mais realçada quando observamos como se dá a institucionalização de algo enquanto um problema social. Para Lenoir11, esse processo pressupõe um “trabalho social” dividido em duas etapas: o reconhecimento, que é um primeiro passo que torna o problema visível, compreensível e mensurável; e a legitimação, que é a fase seguinte e compreende a inserção do problema no campo das preocupações públicas que necessitam uma resolução emergencial.


Por outro caminho, antropólogas/os interessados em estudar a importância dos documentos vêm demonstrando por meio de suas etnografias as variadas maneiras com que certidões, ofícios, relatórios, decretos, dentre outras formas assumidas por essa “papelada” não necessariamente refletem, representam ou descrevem a realidade que se encontra diante dos nossos olhos; mas sim que possuem uma força social12 própria e operam ativamente para que determinadas coisas sejam atestadas, dando a elas um estatuto de verdade e realidade. Ao destacar o papel de um “documento” nesse processo, atenta-se para os modos como algo adquire não apenas o reconhecimento da sua presença, mas também uma outra “camada de realidade”, que em dados contextos poderíamos chamar de “oficial”. Além disso, buscamos também destacar que essa nova “camada da realidade” não necessariamente se sobrepõe de modo a cobrir a precedente e nem é menos importante do que qualquer outra.


Um desdobramento dessa preocupação mais ampla com as propriedades sociais dos documentos e registros oficiais busca destacar o lugar ocupado por esses papéis no funcionamento da administração estatal e no desenho de políticas públicas. Algumas das investigações que partem de uma abordagem etnográfica descrevem as políticas públicas como tecnologias do exercício da governamentalidade manejadas por órgãos estatais e paraestatais. Grosso modo, a principal argumentação veiculada nesses trabalhos é o de que as instituições e agências que cumprem funções de Estado influem, manipulam e direcionam a percepção social acerca das questões que elas próprias formulam como problemáticas.


Enquanto antropólogo afinado com essas discussões, acredito que um dos maiores desafios que enfrentamos no momento é o de apreender como esquemas de percepção e concepção de algo tão microscópico e invisível quanto um vírus alcançam níveis variados de penetração e legitimação social em diferentes momentos e/ou circunstâncias. Ou ainda, entender como ocorre (ou não) o reconhecimento e a legitimação da pandemia de COVID-19 enquanto um problema social em diferentes escalas, âmbitos e contextos. Creio que as Ciências Sociais – principalmente a Antropologia – possuem em seu arsenal instrumentos que nos permitem refletir e elencar o que conta como real e o que é descartado pelos sujeitos em uma dada conjuntura, até mesmo porque somos atores fundamentais na identificação e legitimação de realidades outras.


No atual quadro de subnotificação, circulação de informações desencontradas, disseminação de fake news e negacionismo, tenho a impressão de que é possível encontrar algumas pistas iniciais para entender o ímpeto de desconfiança e questionamento da seriedade – quando não da própria realidade – da pandemia na incapacidade e/ou falta de vontade dos órgãos governamentais de produzir dados fidedignos sobre o avanço da doença em território nacional. Afinal de contas, a maneira como a presidência da república e certos setores do governo federal brasileiro vêm negando a gravidade da COVID-19, por um lado, e como a mídia tem tratado a notificação dos casos e apresentado as estatísticas sobre o seu desenvolvimento, por outro, são componentes centrais na contenda pela produção de uma “imagem pública” da pandemia e, consequentemente, sugestionam o quanto as pessoas sentem, percebem e vivenciam esse fenômeno como algo “real”.


A partir dos argumentos apresentados anteriormente, julgo que é possível perceber facilmente a relevância dessas estatísticas e números para a construção de interpretações e entendimentos que dão a um determinado problema uma magnitude que exige e legitima uma incontornável intervenção estatal. Assim, ciente do poder dos documentos e dos registros oficiais na construção de realidades sociais, afirmo que devemos nos empenhar em qualificar essa demanda e fazer coro com os diversos profissionais que sublinham o processo dinâmico de retroalimentação que ocorre entre o negacionismo da pandemia de COVID-19 e a subnotificação da quantidade de infectados e mortos pela doença, bem como pressionar os gestores públicos por uma maior eficácia das políticas de testagem e diagnóstico.


Entretanto, não podemos estacionar nesse ponto. Também é necessário que estejamos alertas ao perigo de colocar a testagem em massa como uma espécie de panaceia, sobretudo quando se objetiva combater uma postura cínica, contrária à ciência e negacionista. Cabe a nós ressaltar que na indagação acerca do que conta como real na situação atual, o verbo contar possui tanto o significado de calcular e contabilizar, quanto o de importar, valer e ter em consideração. Isto é, para deslindar o processo de construção social da realidade da pandemia de COVID-19, precisamos explorar e levar a sério a sua dupla dimensão: uma quantitativa (que alguns chamariam de “objetiva”), calcada nas estatísticas e produção de bancos de dados sobre o número de mortos, infectados e recuperados; e outra qualitativa (que poderia ser chamada de “subjetiva”), que é constituída pelas ideias, crenças, pesquisas etc. que são consideradas ou creditadas na conformação de uma interpretação ou enunciado sobre o assunto.


Nesse sentido, penso que uma das mais significativas e importantes contribuições que os cientistas sociais podemos oferecer nesse momento diz respeito à compreensão do modo como as pessoas percebem a realidade pandêmica do novo coronavírus no seu cotidiano e como elas atribuem sentido às experiências vividas. Para isso, contamos, por exemplo, com nossa experiência e capacidade de rastrear e mapear as controvérsias, disputas e relações de força que atuam na formação de consensos e dissensos. Mais do que nunca, precisamos nos ater aos modos pelos quais os discursos classificados negacionistas, alarmistas, moderados e técnicos de distintos atores sociais – políticos, chefes religiosos, lideranças comunitárias, especialistas, cientistas, profissionais de saúde, dentre muitos outros – circulam, influenciam e (des)estabilizam percepções e definições coletivas relativas à pandemia. Em suma, penso que podemos e temos muito a colaborar se colocarmos nossas ferramentas teóricas, metodológicas e analíticas a serviço de apreender que elementos são mobilizados e operam na produção de realidades em distintos contextos e cenários, bem como as formas pelas quais as pessoas dão materialidade, substância e nitidez à (in)visível pandemia que nos cerca.

 

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Fonte: Elaboração própria a partir de dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Atualização: 19/04/2020.

 

Lucas Freire é Doutor em Antropologia Social pelo PPGAS, Museu Nacional/UFRJ. Atualmente é Pós-Doutorando no PPHPBC/CPDOC/FGV.

 

10 Ref:https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/coronavirus-brasil-o-pais-que-menos-testa-entre-mais-atingidos-pela-covid-19-24363482

https://brasil.elpais.com/brasil/2020-03-24/com-gargalo-de-testes-para-coronavirus-brasil-ve-so-a-ponta-do-iceberg-com-seus-2201-casos-e-46-mortes.html

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52145795

 

11 LENOIR, Remi. Objeto sociológico e problema social. In: CHAMPAGNE, Patrick et al. (org.). Iniciação à Prática Sociológica. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 59-106.

 

12 FERREIRA, Letícia. “Apenas preencher papel”: reflexões sobre registros policiais de desaparecimento de pessoa e outros documentos. Mana, vol. 19, n. 1, 2013, p. 39-68.


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Estes textos são parte de uma série de boletins sequenciais sobre o coronavírus e Ciências Sociais que está sendo publicada ao longo das próximas semanas. Trata-se de uma ação conjunta que reúne a Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais (ANPOCS), a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e a Associação dos Cientistas Sociais da Religião do Mercosul (ACSRM). Nos canais oficiais dessas associações estamos circulando textos curtos, que apresentam trabalhos que refletiram sobre epidemias. Esse é um esforço para continuar dando visibilidade ao que produzimos e também de afirmar a relevância dessas ciências para o enfrentamento da crise que estamos atravessando.

A publicação deste boletim também conta com o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC/SC), da Associação Nacional de Pós-Graduação em Geografia (ANPEGE), da Associação Nacional de Pós-Graduação em História (ANPUH), da Associação Nacional de Pós graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (Anpoll) e da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur).

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