A Questão Étnico-Racial em Tempos de Crise

A pandemia do novo Coronavírus tem provocado diversas mudanças na vida cotidiana de milhões de pessoas, alterando padrões de interação social e de organização da vida política e econômica. Esse fenômeno não poderia deixar de incitar a imaginação dos(as) pesquisadores(as) das ciências humanas e sociais, como prova o sucesso e a repercussão que teve nos últimos meses o Boletim “Cientistas Sociais e o Coronavírus”, editado por um consórcio de associações científicas que inclui a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e Associação dos Cientistas Sociais da Religião do Mercosul (ACSRM). Contudo, algo que se pode perceber é que um dos efeitos mais evidentes dessa pandemia tem tido pouco espaço nas produções dos(as) cientistas sociais, inclusive no boletim supracitado, a saber: a ampliação das desigualdades raciais e de formas explícitas de racismo no atual contexto.

Fenômenos como a violência policial, que atinge a população negra em um grau muito mais elevado, a precariedade no acesso à saúde e à educação, os altos índices de subemprego e desemprego, entre outros aspectos, mostram como as populações negra e indígena estão desigualmente inseridas na sociedade brasileira. A pandemia pôs em evidência e exacerbou todos esses processos, tornando essas populações muito mais vulneráveis aos efeitos deste momento tão dramático da história humana.

Nesse sentido, a partir da crença de que o papel dos(as) pesquisadores(as) em Ciências Sociais e Humanidades é o de dar maior visibilidade e compreensibilidade a essa e outras situações semelhantes e, também, na expectativa de reafirmar o comprometimento dessas ciências com um mundo melhor e menos injusto, propomos à comunidade acadêmica dar continuidade ao Boletim “Cientistas Sociais e o Coronavírus” com uma nova temática, a partir de perspectivas que busquem enfatizar os efeitos da pandemia sobre a população negra e outras minorias vítimas de desigualdades étnico-raciais. Esta é uma forma de incitar a publicização de pesquisas que ponham em evidência o aprofundamento do racismo e das desigualdades raciais neste momento e pode, além disso, ser uma oportunidade para reafirmar o engajamento de nossas associações científicas com o combate a todas as formas de desigualdades e injustiças em nossa sociedade.

Nesse sentido, contamos com a inventividade e a colaboração das nossas comunidades científicas para manter viva a saga iniciada pelo “Boletim Cientistas Sociais e o Coronavírus”, agora sob a roupagem do mote “A Questão Étnico-racial em Tempos de Crise”. Que muitas glosas inovadoras e impactantes possam surgir a partir desse mote geral! É o que deseja toda a equipe editorial envolvida no projeto.



Os Boletins Cientistas Sociais são uma série de textos publicados ao longo de semanas. Trata-se de uma ação conjunta que reúne a Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais (ANPOCS), a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e a Associação dos Cientistas Sociais da Religião do Mercosul (ACSRM). Nos canais oficiais dessas associações circulam textos curtos, que apresentam trabalhos que refletiram sobre epidemias. Esse é um esforço para continuar dando visibilidade ao que produzimos e também de afirmar a relevância dessas ciências para o enfrentamento da crise que estamos atravessando.


A publicação deste boletim também conta com o apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC/SC), da Associação Nacional de Pós-Graduação em Geografia (ANPEGE), da Associação Nacional de Pós-Graduação em História (ANPUH), da Associação Nacional de Pós graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (Anpoll) e da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur).


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