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Araweté: Os Deuses Canibais

arawete

Autor: Eduardo Batalha Viveiros de Castro
ISBN: 85-85061-48-0
Editora: ANPOCS, Jorge Zahar Ed.
Edição: 1986
Número de páginas:

Sinopse: Este livro é a primeira análise em profundi­dade da vida social e religiosa de um povo Tupi-Guarani contemporâneo, os Araweté do médio Xingu (Pará). O autor viveu onze meses entre eles; aprendendo sua língua e participando de seu cotidiano, tentou apre­ender as questões que fundam a cosmologia, a filosofia social e a concepção da pessoa humana subjacentes a esta cultura, uma das poucas que segue resistindo com inteireza à predação civilizatória da Amazónia.

Indo além da descrição e interpretação etnográfi­cas, entretanto, o trabalho organiza um vasto horizonte comparativo, situando os Araweté na paisagem cultural Tupi-Guarani (que, por sua vez, é consolidada de modo teoricamente renovado) e no continente sul-americano. Problemas centrais da antropologia são reto­mados e discutidos à luz da etnologia sul-americana, área que vem conhecendo nos últimos anos um radical salto qualitativo, colocando-a na vanguarda da cena conceitual e crítica da antropologia.

A partir de um aspecto sui generis do concei­to Araweté da divindade - o canibalismo —, Eduardo Viveiros de Castro elabora uma no­va interpretação do complexo Tupi-Guarani da antropofagia ritual, mostrando como ele funda e exprime uma teoria da pessoa, uma ontologia social e uma concepção de tempo­ralidade radicalmente diversas das represen­tações usuais sobre a "sociedade primitiva". As fontes quinhentistas sobre os Tupinambá do litoral brasileiro recebem uma significa­ção inesperada, ao serem confrontadas com os fatos Araweté; resgatados do folclore "tupinológico" e do imaginário ocidental, os Tupi e sua antropofagia encontram seu lugar de direito na antropologia contemporânea, como portadores de uma visão de mundo complexa, trágica e dinâmica, capaz de fun­dar uma sociedade surpreendente, em sua abertura radical para a exterioridade e o devir.

Este trabalho foi premiado como a melhor tese de doutorado no I Concurso de Teses Universitárias e Obras Científicas promovido pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). O júri foi integrado pelos professores Ruth Cardoso, Mário Brockman Machado, Roque de Barros Laraia e Francisco Iglésias, que decidiram por unanimidade premiar a obra de Eduardo Viveiros de Castro.